segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Família e terapia


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É importante salientar o papel da família no processo terapêutico
Conhecer a criança, compreender o tipo de alteração que ela apresenta, quais os aspectos do desenvolvimento estão mais ou menos alterados, que nível evolutivo ela se encontra; para Zorzi (1999), são dados importantes que o terapeuta deve saber para poder elaborar seu plano terapêutico, além de estar em sintonia com a criança, e com isso desenvolver nela habilidades interativas – “o terapeuta deve ser sensível aos interesses e capacidades dela, e ser capaz de acompanhar detalhes de seu desenvolvimento”.

Papel da família no processo terapêutico


Antes de entrarmos na terapia, propriamente dita, é importante salientar o papel da família no processo terapêutico. Zorzi (1999) aponta um questionamento importante sobre o trabalho de orientação familiar. Para você, qual a concepção de orientação familiar que você adota:


• A orientação familiar é um momento em que você “passa” as regras, normas ou condutas que os pais devem seguir em relação a seu filho;


• O momento da orientação familiar também é um momento de “escuta”, em que o terapeuta assume o papel de ouvir o que a família tem para dizer sobre seu filho, aproveita o momento para trabalhar as ansiedades sobre o desenvolvimento da terapia, de como seu filho “vai ficar”, quando ele vai “ficar bom” e também orienta como a família poderá contribuir no processo terapêutico, pensando nessa situação como um momento de “troca”, de reflexão e questionamentos, tanto da família como do terapeuta.


Para Zorzi (1999, p. 97), os encontros com os pais “pode tornar-se um momento de troca, de reflexão e de questionamentos.” Eu diria que os encontros devem ser momento de troca, reflexão e questionamento. O objetivo é a busca de compreensão, tanto por parte do fonoaudiólogo como da família.


Entendendo melhor certas características da dinâmica familiar, o fonoaudiólogo pode ajudar a família a compreender o que está acontecendo com seu filho, e, com isso, as orientações mais específicas (escolaridade, comportamento e estimulação) vão ter um significado diferente para a família, consequentemente, o resultado será mais positivo. Sabendo como a família lida com seu filho, entendendo a relação pais/filho, o fonoaudiólogo não corre o risco de orientar os pais num modelo padrão, ou seja, uma lista com o que ele deve e não deve fazer para ajudar seu filho.


Lembre-se: o fonoaudiólogo não vai dar uma luz para que a criança, a partir daquele momento, siga esta luz e com isto seu desenvolvimento acontecerá normalmente. O fonoaudiólogo mostra um caminho – temos que trabalhar juntos: terapeuta-família-criança, como engrenagens, que só funcionam se estiverem bem alinhadas.
Como tratar as alterações de linguagem?

Esta é uma pergunta que muitos fonoaudiólogos fazem, porém, não se tem uma fórmula, receita padrão, pois cada criança é diferente, como diz Zorzi (1999, p. 75) “[...] falamos em retardos de aquisição da linguagem, o que implica configurações diversificadas, com problemas variando em termos de profundidade e graus de extensão.” Ou seja, cada caso é um caso, o processo terapêutico deve ser adequado ao perfil de desenvolvimento, a idade e as alterações que cada criança apresenta.

Befi-Lopes (2004, p. 994) reforça esta afirmação quando salienta que “dificilmente duas crianças com desordens de linguagem são exatamente iguais nas habilidades e inabilidades de linguagem que manifestam. [...] cada plano de intervenção deve ser desenvolvido individualmente para cada criança.”

Ao planejar o processo terapêutico deve-se considerar:

• a idade da criança: pode-se dividir os pacientes com alterações de linguagem em dois grupos – as que se encontram no período pré-linguístico e as que se encontram no período linguístico;

• comportamento da criança: crianças com alterações de linguagem podem se apresentar isoladas do convívio social, apáticas, agressivas, hiperativas;

• deficit linguístico apresentado: deve-se observar quais os aspectos da linguagem estão mais envolvidos – pragmático, fonológico, semântico ou morfossintático;

• progressos alcançados com a terapia: durante todo o processo terapêutico o planejamento deve ser revisto e adaptado se necessário.


É importante salientar o papel da família no processo terapêutico
Befi-Lopes (2004) cita que, de acordo com várias pesquisas realizadas, as estratégias utilizadas com crianças que apresentam alterações de linguagem deveriam ser baseadas nos processos naturais de aquisição e desenvolvimento de linguagem, ou seja, o que é adequado para crianças em processo normal de desenvolvimento, também é eficaz para crianças com problemas de linguagem, porém, algumas crianças, para se beneficiarem melhor do processo terapêutico, necessitam de técnicas de intervenção diferentes do que ocorre no processo normal de desenvolvimento.

Para adquirir a linguagem, a criança precisa descobrir que as unidades linguísticas, os conceitos e contextos têm regras e são regulares, e que “os comportamentos dos outros podem ser regulados e os desejos podem ser satisfeitos por meio do uso apropriado da linguagem” (BEFI-LOPES, 2004, p. 995), que a criança “[...] além de aprender sobre forma e conteúdo de linguagem, precisa tirar conclusões sobre a linguagem. [...] necessita, entre outros aspectos, saber que, por meio da linguagem, ela pode influenciar o que a outra pessoa faz; conseguir o que quer e rejeitar o que não quer; chamar a atenção sobre o que considera interessante ou importante; manifestar suas necessidades, desejos e ideias; estabelecer e manter relações interpessoais” (COLE E DALE, 1986 apud BEFI-LOPES, 2004, p. 995), ou seja, a criança precisa sentir a necessidade da linguagem.


Pode-se dizer então, que um dos princípios da intervenção é o de possibilitar a criança descobrir isto, por meio de estratégias e recursos apropriados visando:


• reduzir e simplificar a complexidade das situações usuais de aprendizagem de linguagem;


• realizar atividades que propiciem repetições de situações sistematicamente controladas, com eventos variados – facilita o processo de descoberta;


• realizar atividades que incluam intenções comunicativas, funções regulatórias, solicitações de ações.


Estes objetivos podem ser alcançados por meio de brincadeiras simbólicas, atividades de modelagem, atividades de imitação. As técnicas de modelagem e imitação têm obtido respostas positivas como proposta terapêutica, principalmente a imitação

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO

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